“- Um, dois, três…
- Não vale espreitar!
- Quatro, cinco…
- Oh Teresinha, tu estás a ver!
- Seis… Está quase! Sete…
- Oh, não jogo mais!”
- Lembra-se, António? Você perdia sempre…
- Oh, Teresinha! Você é que era uma batoteira!
- E você continua um mentiroso. Hoje não almoça! Está a ficar gordo e feio.
Ele aproximou-se.
- Pois olhe que você está cada vez mais bonita…
- Seu graxista! Não almoças na mesma.
O avô riu-se.
- Passámos a vida a jogar às escondidas, não foi, Teresa?
Ela olhou ternamente para ele.
- Foi. Mas eu não pensaria duas vezes se…
Entretanto, os miúdos chegaram da escola e começaram aos saltos pela casa, invadindo-a de canções e palhaçadas. O avô aderia às brincadeiras, sorridente, enquanto a avó abanava a cabeça, endireitando as almofadas do sofá. Por fim, seguiram para a mesa. António reparou que a mulher o olhava com aquele olhar imenso que só os mais velhos sabem fazer. Ela confessou, enternecida:
- Vê o que eu lhe dizia?...
Ele pareceu confuso. Ela segredou-lhe, endireitando-lhe a camisa:
- Venha almoçar…
- Então, afinal já posso?... – perguntou ele, brincalhão.
Ela fugiu. Mas, quando já estava na saída para o jardim, onde a mesa de Verão os esperava, virou-se, e disse:
- Eu menti… Você continua tão bonito como dantes.
E saiu.
- Não vale espreitar!
- Quatro, cinco…
- Oh Teresinha, tu estás a ver!
- Seis… Está quase! Sete…
- Oh, não jogo mais!”
- Lembra-se, António? Você perdia sempre…
- Oh, Teresinha! Você é que era uma batoteira!
- E você continua um mentiroso. Hoje não almoça! Está a ficar gordo e feio.
Ele aproximou-se.
- Pois olhe que você está cada vez mais bonita…
- Seu graxista! Não almoças na mesma.
O avô riu-se.
- Passámos a vida a jogar às escondidas, não foi, Teresa?
Ela olhou ternamente para ele.
- Foi. Mas eu não pensaria duas vezes se…
Entretanto, os miúdos chegaram da escola e começaram aos saltos pela casa, invadindo-a de canções e palhaçadas. O avô aderia às brincadeiras, sorridente, enquanto a avó abanava a cabeça, endireitando as almofadas do sofá. Por fim, seguiram para a mesa. António reparou que a mulher o olhava com aquele olhar imenso que só os mais velhos sabem fazer. Ela confessou, enternecida:
- Vê o que eu lhe dizia?...
Ele pareceu confuso. Ela segredou-lhe, endireitando-lhe a camisa:
- Venha almoçar…
- Então, afinal já posso?... – perguntou ele, brincalhão.
Ela fugiu. Mas, quando já estava na saída para o jardim, onde a mesa de Verão os esperava, virou-se, e disse:
- Eu menti… Você continua tão bonito como dantes.
E saiu.
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